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Um Novo Tempo...
Existem coisas que não passam, que não são sazonais e a música brasileira é riquíssima nesse sentido. Infelizmente pouquíssimas músicas dos últimos 15, 20 anos serão eternas como muitíssimas os anos 50, 60, 70 são e sempre serão. Minha árvore genealógica é uma bênção e tenho muito orgulho dela. Em 28 anos essa árvore nunca me atraiu tanto para sua raiz como nos últimos 2 anos. As razões para isso são diversas mas acredito que tenha começado a ficar mais intenso a partir da minha participação no Dvd de Marlene, rainha do Rádio, onde cantei ao lado da minha avó, Carminha Mascarenhas. Ela, ao lado das senhoras mais divertidas que já conheci, me mostraram um mundo tão maravilhoso... Estórias fantásticas e eu ali ouvindo tudo de queixo caído de como elas já eram modernas (bem mais do que eu, aliás... ahaha), bem resolvidas, as pessoas com quem ela conviviam... Ao lado dela, meu avô Raul Mascarenhas que faleceu quando eu tinha 7 anos mas suas estórias maravilhosas com o piano sempre estiveram presentes... Meu pai, Raul Mascarenhas e minha mãe, Fafá de Belém... Prefiro até não entrar muito aí senão borra a maquiagem, embarga a voz e já viu. Mas o que quero dizer é que meu sangue e minha estória começaram a me trazer pra esse mundo fantástico que sempre esteve na minha vida mas de maneira distante. Não por nada em especial mas porque eu precisava passar por todas as fases que passei, porque sempre tive uma vida mais que comum e por elas passaram a paixão pelo Menudo (e a certeza de que eu casaria com Ricky), o carnaval da Bahia, o funk na balada com as amigas, o castigo de ficar uma semana sem New Kids On The Block quando fazia algo errado, o country que amei com tanta intensidade e que durante tanto tempo foi meu ganha-pão, minha razão de estar num palco. Daí o sangue falou mais alto e eu que conhecia tudo por livros (dos festivais, da bossa nova e etc...) comecei a me sentir mais e mais atraída por tudo que estava me rodeando, seja nas estórias da minha avó ou nas audições para musicais brasileiros que me mandavam as mais lindas músicas brasileiras para passar nas fases.
Mas mantenho minha alma limpa, me mantenho limpa como diz a música de Ivan Lins por sempre ter seguido meu coração e nunca traído minhas crenças por qualquer que fosse a opinião alheia. Enquanto cresci passei pelas mais diversas fases e até hoje ouço de tudo, graças à Deus. Como diz minha mãe, eu não prefiro esse ou aquele tipo de música mas sim música boa. Isso não quer dizer que não tenha dançado, me divertido e até cantado com amigos músicas ruins... ahhahah Até as músicas ruins servem pra alguma coisa e a principal coisa é que aprendemos a apreciar as obras preciosas de diversos autores quando paramos pra escutar uma. E minha vida sempre isso: sempre liberdade para errar e aprender, apoio para seguir o caminho que meu coração mandasse. Cantava MPB de Toquinho e Vinícius no coral do acampamento e Tropicália de Gil e Caetano na escola, depois comecei minha carreira profissional cantando o country americano, segui fazendo shows com músicas pop brasileiras e americanas e todas essas fases da minha vida foram moldando minha alma, me mostrando coisas e fizeram parte do meu amadurecimento profissional e pessoal. Foram essas escolhas e opções que me trouxeram até aqui hoje, me trouxeram à esse novo projeto que estou elaborando e me fizeram ser quem sou hoje, mais do que nunca com o coração aberto e alma ainda sedenta de mais aprendizado e crescimento.
Cada vez que eu me perguntava se estava no caminho certo, cada vez que tomei um não na cara, cada vez que o caminho que parecia fluir parava num beco sem saída ou desaparecia no horizonte, me perguntava se era isso mesmo que a vida queria de mim, se minha missão era mesmo essa ou se eu deveria parar de insistir... Quando crises como essas, e não foram poucas (hahaha), aconteciam, me perguntava principalmente porque amo cantar e a resposta era sempre a mesma: além do sentimento indescritível de liberdade e felicidade, o fato de tocar as pessoas com a minha voz sempre foi o que me guiou. Uma pessoa vir me dizer que quando cantei Paralelas ou qualquer outra música e isso a emocionou, a fez lembrar de alguém, trouxe algo de bom... Isso é tão grandioso e tão especial que eu levantava e pensava: ok, pode trazer a próxima porrada que eu agüento (ahaha). E é isso, nada nunca foi maior que isso, por isso nunca dei bola e nunca me afetou quando me comparavam a minha mãe ou quando justificavam meu sucesso não pelo meu talento mas apenas por ser filha dela ou do meu pai... Tenho orgulho da minha árvore, levanto a bandeira com amor e defendo meu trabalho com ele mesmo, ou seja, paro pra pensar em tudo que aprendi para estar aqui e sei que não tenho que me explicar pra ninguém. Minha cabeça e meu coração estão tranqüilos quanto ao meu merecimento, talento, ralação... Minha estória me dá muito mais parâmetro quando paro para escutar as músicas tão especiais desse repertório.
Portanto aguardem... Terei novidades muito em breve...

(Camarim Os Produtores em Curitiba. Ju, Re e Fred, sentiremos MUITO a falta de vocês... Muito amor, Mari)
Beijokas!!
Escrito
por
Mariana Belem
às
15h52
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